Blog

Nunca vou me esquecer de Yale

10/08/17

* Por Beatriz Vitoriano

Olá! Eu sou a Bia, bolsista do Ismart no Colégio Objetivo de São Paulo, onde curso o 3º ano do ensino médio. Gostaria de contar um pouco como foi a melhor experiência da minha vida. De 16 de julho a 5 de agosto, participei de um summer program chamado Explo na Universidade Yale, nos Estados Unidos.

Lá, frequentei aulas diversas, como Estudos de Filmes, Escrita Criativa, Teoria dos Jogos e Direitos Humanos: Debate sobre Gênero. Vivenciei momentos extremamente enriquecedores, dos quais nunca me esquecerei.

Tudo começou em uma noite gelada de São Paulo. Pela primeira vez entraria em um avião. Também pela primeira vez viajaria para fora do país. Durante a viagem eu ainda tinha aquela sensação de “não é verdade, isso não está acontecendo”…

Minha primeira experiência com o inglês foi no Aeroporto JFK, em Nova York. Meu celular não funcionava, então nem rolava aquela rápida consulta no Google Tradutor. Teve de ser na raça, mas assim que comecei a conversar aos poucos fui ganhando confiança e meu inglês começou a fluir.

No aeroporto eu encontrei a equipe do Explo para pegar o ônibus até a universidade. Tudo é muito diferente. Nunca vou me esquecer do momento em que passei pelo Phelps Gate, o portão principal para o Old Campus de Yale, onde ficam os dormitórios. Em geral, a arquitetura de Yale é deslumbrante.

Assim que fiz meu check-in com a equipe, fui para meu dormitório, Welch A. Fui a primeira do meu apartamento a chegar. Cada apartamento tem em média quatro quartos e você pode ficar sozinho ou dividir seu quarto com outra pessoa; no meu caso, eu tive uma colega de quarto. Minha experiência dividindo o foi bem legal. Eu e Illana, de Nova York, nos demos muito bem desde o início e sempre respeitamos muito o espaço uma da outra. No final do primeiro dia, conheci o resto das meninas do meu living group (grupo de convivência), as meninas que moravam no mesmo prédio que o meu, e todas eram muito legais e simpáticas.

Meu grupo de convivência em Yale

Já no segundo dia começaram as aulas. A primeira coisa que os professores fazem quando chegam é colar um pôster na parede e explicar como é importante criar um ambiente seguro para todos. Seguro no sentido de todos se sentirem confortáveis de expressar suas ideias. As aulas eram extremamente diversificadas. O conteúdo mudava muito, assim como a turma em si. O Explo recebe pessoas do mundo inteiro – conheci chineses, venezuelanos, argentinos, árabes, palestinos, ingleses e pessoas de muitas outras nacionalidades. Mas também era sempre bom encontrar um brasileiro e dar uma matadinha de saudades do nosso português. E o que mais me chamou a atenção foi que ali éramos todos iguais.

Foram três semanas intensas e cada aula me despertou um interesse diferente. Depois de ter as aulas de Estudos de Filmes eu comecei a coletar material para fazer um curta. Eu participei do CoffeHouse, uma noite para os alunos que gostariam de apresentar o material que fizeram durante o curso, e apresentei uma história original em inglês na frente de uma plateia. Foi uma das coisas mais difíceis que eu tive de fazer, porém a sensação depois foi única. Também participei do One World, um dia para alunos do curso de Direitos Humanos apresentarem seus projetos. No caso do meu grupo, falamos sobre a saúde precária que as mulheres recebem e sobre a mortalidade materna. Durante a troca de workshops aconteceu o Common Good Day, um dia no qual os alunos podem visitar uma universidade ou fazer trabalho voluntário para retribuir à comunidade de New Haven. Optei pelo trabalho voluntário, o que foi sensacional. Descobri que para você ter uma experiência completa no Explo você deve participar desses eventos, se envolver e criar projetos.

Além da enorme bagagem teórica eu também adquiri uma enorme bagagem cultural, sobretudo nas viagens, que acontecem aos fins de semana. Fui a Nova York assistir a shows da Broadway (“Wicked” e “O Rei Leão”), passeei pela Quinta Avenida e também estive em Boston, onde fiz um tour pela Universidade Harvard.

Em todos os passeios conheci pessoas novas e tive conversas super interessantes. Por exemplo, eu pude olhar para a questão da Palestina pelo ponto de vista de quem mora na Palestina. Também tive conversas sobre o governo chinês e sua posição em relação a Taiwan, Hong Kong e Macau. Tudo isso fora de sala de aula, apenas trocando informações com meus colegas.

E mesmo quando sobrava aquele tempinho livre, ainda havia alguma coisa que eu não tinha visto, como a academia ou a biblioteca, entre outros lugares. Toda noite ocorria algum evento principal que serve mais para dar uma relaxada e aproveitar com os amigos.

Quando finalmente aprendi como chegar aos lugares sem me perder, já era hora de voltar. Durante o intercâmbio as meninas do meu living group pegaram copos de plásticos e escreveram o nome de cada uma e conforme os dias iam passando a gente ia anotando as nossas boas memórias e colocando dentro do copo e só poderíamos ler quando o curso acabasse. O resultado? Um milhão de lágrimas no último dia. E todas juntas criamos uma grande família, um lar. A parte mais difícil foi ter de dizer um adeus e voltar sabendo que eu não acordaria no dia seguinte ouvindo-as dando risada. A sensação de “Não acredito que eu estou vivendo isso” passou a ser “Eu vivi tudo isso, e eu nunca vou me esquecer”.

Diversão com as amigas do grupo de convivência

O Explo me deu muito mais que uma experiência internacional. Me deu amigos, me deu coragem e me mostrou que eu posso, sim, fazer e ser mais!

Fatos curiosos:

– A biblioteca de Sterling é a maior do mundo;
– Os sinos tocaram a trilha sonora do filme “Moana”; todo dia era uma música diferente;
– Em frente à Sterling há um monumento dedicado às mulheres; é uma fonte de água com uma linha do tempo escrita mostrando desde o primeiro ano que a primeira mulher foi aceita até a quantidade de mulheres nos dias atuais em Yale.

Newsletter

Cadastre-se para receber novidades sobre o Ismart.