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Harvard: A minha bucket list

03/09/19

Por: Mel Mendes

Queridx leitor(a), muito prazer! Meu nome é Melissa e estou no terceiro ano do Colégio Bandeirantes. Acabo de riscar o último item da minha bucket list para aproveitar o máximo a Harvard Summer School e gostaria muito de compartilhar ela com você.

Então, aqui vai…are you ready?

1. Visitar a Widener Library

Uma homenagem de uma mãe para seu filho, a Widener Library foi doada a Harvard com a coleção de Harry Widener após sua morte no Titanic. De acordo com as histórias que eu escutei, ele levou parte do seus livros no gigantesco barco e, apesar de ter conseguido um lugar nos botes salva-vidas, morreu tentando salvar as obras. Hoje, a biblioteca é uma das maiores dos Estados Unidos e um dos meus lugares favoritos para estudar. Durante o programa, os alunos tinham entre 2 e 4 horas de lição de casa por dia. Então, meu objetivo era estudar cada dia em um lugar diferente, mas a arquitetura e o esplendor da Widener me fizeram estudar lá bem mais que só um dia. Vou deixar uma foto do exterior, mas posso te garantir que ela não é só mais um “rostinho” bonito. Apesar do seu interior ser de tirar o fôlego também, a coleção de livros é tão incrível quanto. Eu até aprendi uma palavra nova em um livro de Japonês: Kin Medaru que significa medalha de ouro.

Eu indo pra aula e a Widener Library tomando um solzinho

2. Conhecer pessoas do mundo todo

Uma das minhas razões de querer estudar fora é o contato com alunos internacionais e Harvard foi com certeza o lugar certo para isso. As minhas suitemates eram do Texas, Califórnia e Paris, mas eu ainda tive a oportunidade de morar no mesmo andar que uma brasileira, um porto-riquenho e um garoto de Hong-Kong. Sem falar nas muitas pessoas que conheci nos papos de almoço e nas atividades. Até meu professor era italiano.

“A diversidade de pessoas só tornava as discussões mais ricas. Foi como estudar geopolítica na prática. Sentávamos para bater-papo e de repente um conversa sobre a independência de Taiwan surgia, com cada um expressando o seu ponto de vista e o da sua nação.”

No Summer de Harvard, os alunos recebem um passaporte de atividades e podem escolher vários seminários e passeios para participarem. E eu, claro, aproveitava cada oportunidade para conversar com os outros alunos. Um dia, eu fui assistir um seminário sobre desigualdades e privilégios e sai de lá conversando com um menino que fazia passeatas em prol do desarmamento americano. No final do papo, estávamos discutindo sobre o buraco negro supermassivo da via Láctea. Acho que Harvard tem o poder de trazer a tona os papos mais cabeça que você possa imaginar.

3. Pegar metrô

Uma das minhas partes favoritas do programa foi ele ser planejado para parecer a faculdade. Nossas aulas eram de nível universitário e a nossa carteirinha nos dava acesso a grande maioria dos prédios. Apesar do curfew (uma chamada presencial às 11pm com o coordenador do seu andar: o proctor), os alunos podiam ir até Boston quando quisessem – e pudessem, of course -. Por conta das lições e atividades, eu não pude ir muitas vezes em Boston. Com certeza não me arrependo de não ter ido mais, eu não trocaria um minuto do meu tempo no campus por nada. Mas, depois de assistir tantos filmes americanos e ouvir que o metrô de São Paulo é melhor que o de Boston, eu estava igual São Tomé: “só acredito vendo”. A Universidade de Harvard fica em Cambridge e para ir em Boston é preciso cruzar o Rio Charles. Tudo bem que a vista do rio quando se está no trem é magnífica, com todos os barquinhos e -na maioria dos dias- o céu bem azul. Mas, o metrô era bem enferrujado e eu levei uns 20 minutos para andar 3 estações. Quando o assunto é metrô, é São Paulo 1 X Boston 0.

4. Explorar o minha paixão por física

A Harvard Summer School oferece mais de 30 cursos por section. Eu fui na section II que acontece bem no meio de julho e confesso que para mim foi bem difícil escolher o curso. Desde pequena, eu sempre me interessei por várias áreas. De ciências à humanidades, eu queria entender o mundo de diferentes perspectivas. Acabei escolhendo um curso de física voltado para astronomia e astrofísica chamado “From stars to planets: Are we alone in the universe?”. Eu já tinha um interesse por astrofísica, mas nunca tinha tido a oportunidade de explorá-la como já havia feito com minhas outras áreas de interesse, como economia e ciências políticas. Foram essas experiências que me levaram a escolher economia como meu curso na faculdade, mas eu ainda pensava em um double major ou minor em física ou astrofísica. Então, pensei que estudar essa área durante o verão me traria uma confirmação -positiva ou negativa- se esse era o curso que eu queria. Dito e feito! Durante o curso, tive a oportunidade de conversar com o meu professor durante os office hours pra entender melhor sobre o cotidiano e financiamento de pesquisa de um cientista nessa área e sanar minhas dúvidas de carreiras. Os professores da Summer School todos já lecionaram ou lecionam em Harvard e muitos trabalham com as pesquisas mais inovadoras. Assim, as conversas e aulas sempre são carregadas de muita experiência e conhecimento das novidades da área.

“Posso dizer que minha paixão pelo tema só aumentou depois de estudar a formação de planetas e estrelas, supernovas, buracos negros… Enfim, uma variedade de assuntos que dimensionou o meu conhecimento sobre essa área. Um dia desses, me peguei lendo um artigo da Scientific American sobre neutron stars me sentindo super íntima dos termos. Agora, tenho certeza que quero explorar essa área de alguma forma no futuro.”

5. Assistir a um jogo de baseball

Uma das minhas aventuras no metrô foi ir ao Fenway Park, a casa dos Red Sox. Pelo que ouvi, o Fenway é um dos estádios mais antigos dos Estados Unidos. O jogo era uma das atividades que eu escolhi para o meu “passaporte” e foi contra os Blue Jays, de Toronto. Posso afirmar que é exatamente igual aos filmes. O campo, as cadeirinhas e os vendedores de comida -mesmo na chuva-. Eu não entendo muito das regras, então torcia só nos lances que eu entendia o que aconteceu. No final, aprendi que no jogo de baseball você bate palma quando todo mundo bate e conversa bastante.

Não dá pra ver na foto, mas todo mundo está molhado

6. Aproveitar o máximo que eu puder

“Dentre todos os itens da minha lista, acho que esse é o mais importante. A Harvard Summer School foi minha primeira experiência de viagem internacional. Tudo pra mim era novidade: a língua, a comida, os costumes.”

Para que eu pudesse aproveitar o máximo, eu sempre me desafiava a fazer coisas novas. Visitar o máximo de cafeterias possíveis -que aliás são muito boas-, provar um cereal diferente por dia, um sabor novo de sorvete -que era servido TODO DIA- ou conhecer X pessoas novas. Enfim, pequenas coisinhas que deixaram a minha experiência ainda mais incrível e inesquecível.

Meu professor já realizou muitas pesquisas na área de astrofísica e já lecionou em Harvard para os alunos do undergrad. Então, eu aproveitava os office hours (um horário que os professores disponibilizam na agenda deles para tirar dúvidas ou conversas com os alunos) para conversar sobre o curso ou mesmo carreira e vida profissional como pesquisador.

Estar em Harvard me ensinou que as pessoas vão pra lá pra se desenvolver pessoal e academicamente. O meu curso não tinha nota, mas todo mundo se dedicava por paixão à astrofísica e foi essa dedicação que enriqueceu minha bagagem. Eu queria aprender cada detalhe e escolher as pesquisas mais complexas, mas tudo valeu muito a pena. Se eu posso deixar uma última dica para é para você sair da sua zona de conforto. Você só tem duas semanas que passam muito -mas muuito mesmo- rápido. Então, mergulhe de cabeça com todo seu coração.

Espero que tenha curtido saber um pouquinho mais da minha viagem. Eu vou ficando por aqui dessa vez, mas deixo você com essa foto incrível do Annemberg Hall -sim, eu almocei no salão que parece o do Harry Potter todo dia-.
Abraços,
Mel Mendes

Essa arquitetura é de encher o coração

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