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Janelas para o Mundo: projeto de pesquisa apresentado em Milão

31/01/20

Por: Stella Hadassa Vieira, aluna do 3º ano do Ensino Médio da Escola Lourenço Castanho

Conheci o Ismart no final de 2016, por meio de uma reportagem na televisão com um aluno bolsista da Escola Lourenço Castanho. A história dele e meu desejo de estudar em uma escola de excelência me motivaram a participar do processo seletivo do Ismart. Em 2017, passei e entrei justamente na mesma escola que o aluno que vi na TV estudava. Antes, eu frequentava uma escola pública do extremo sul da cidade de São Paulo, próxima ao Grajaú, caracterizada por ser um ambiente violento e precário.

Na minha atual escola, tive contato com a Iniciação Científica, que me levou a elaborar um projeto relacionado à educação, baseado na importância que o tema tem na minha vida e na nossa formação como cidadãos. Realizei diversas pesquisas para compreender a realidade da educação na cidade de São Paulo e percebi que o problema da violência seguida de precariedade não era algo isolado da minha escola anterior, mas sim, um problema das escolas públicas da capital paulista. De acordo com dados do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, cada uma das escolas públicas da capital paulista vivencia até 10 casos de violência por dia.

Comecei essa pesquisa junto com uma colega, que precisou se afastar da escola no início de 2019. Então, eu prossegui com o projeto sozinha – este foi o primeiro desafio.  Elaborei o projeto pensando em meus desejos e objetivos, para que ele me representasse. Isso só foi possível com apoio de toda a equipe pedagógica da escola, do meu orientador e das minhas analistas do Ismart.

  Após definir os objetos da pesquisa, procurei os dados do Estado sobre violência escolar. Conheci o ROE (Registro de Ocorrências Escolares), uma plataforma da Secretaria Estadual de Educação em que os diretores das escolas públicas notificam as ocorrências vivenciadas em suas escolas. Os dados do ROE são restritos à Secretária de Educação. Continuando minha pesquisa, notei que não havia nenhum indicador social que revelasse o problema da violência escolar. Baseando-me no potencial dos dados da ROE e na importância de ter um índice que revelasse esse problema e pudesse ser usado na elaboração de políticas públicas na área da educação, resolvi criar um novo indicador social, que chamei de Índice de Violência escolar (IVE) da cidade de São Paulo.

Para desenvolver meu projeto, solicitei acesso aos dados do ROE por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) – este foi meu segundo desafio. Como estas solicitações são burocráticas, fui à Secretária de Educação falar com a coordenadora do ROE para que me respondessem e foram necessários cinco meses para coletar os dados solicitados.

Após a elaboração do IVE, os dados revelaram uma constante oscilação no Índice de Violência das diretorias e um possível aumento do mesmo, uma vez que o número de diretorias na faixa de “muito baixa violência escolar” diminuiu nos últimos três anos.

Realizei cotejamento de dados, analisei informações e procurei relações com os números de violência nas regiões correspondentes às diretorias. Com base nisso, tirei conclusões importantes referentes a esse problema: tais variações no IVE das diretorias estão diretamente relacionadas a fatores de natureza social que resultam no fenômeno da violência escolar. Além disso, é necessário revisar os tipos de ocorrências do ROE, para que sejam mais reveladoras dos problemas que afetam o cotidiano escolar.

Apresentei este projeto na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), em Novo Hamburgo (RS) em outubro de 2019. Para participar dessa feira, recebi o apoio da minha escola, dos meus amigos e do Ismart, que ajudaram no desafio de equilibrar todos os meus deveres e manter minha saúde mental, essencial em todo esse processo.

 A Mostratec foi uma experiência incrível, falei sobre o meu projeto e destaquei a importância do IVE. Além disso, conquistei o primeiro lugar na categoria Ciências Sociais, Comportamento e Artes, e o prêmio de Excelência em Pesquisa pela Associação Brasileira de Incentivo à Ciência (ABRIC). Fui qualificada para representar o Brasil em uma feira em Milão (Itália) em março deste ano.

Ter a minha pesquisa reconhecida na maior feira da América Latina e poder representar o meu país em uma feira científica no exterior foi a realização de um sonho! 

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