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A importância da neurociência no desenvolvimento dos alunos com Altas Habilidades/Superdotação

16/12/21

Neurociência e educação estão profundamente ligadas. De maneira geral, a neurociência estuda como o ser humano adquire conhecimento e realiza ações complexas, como pensar, fazer cálculos e tomar decisões. Para isso, observa de que modo o sistema nervoso age durante o processo de aprendizagem e a fixação das memórias. Quando pensamos em alunos com Altas Habilidades/Superdotação, o estudo dessa ciência se torna fundamental para a compreensão de como esses jovens podem ser estimulados para desenvolverem seu grande potencial.

A influência da neurociência na educação

A neurociência se cruza com diversos campos do conhecimento, como biologia, pedagogia, psicologia, medicina, química e genética, e ajuda os educadores a ter diretrizes para planejar as aulas, aprimorar seus métodos de ensino e, assim, conquistar a atenção dos estudantes e fazer com que realmente absorvam os conteúdos.

A partir da década de 1990, os estudos em neurociência puderam avançar devido ao surgimento dos exames de imagens e, assim, novas abordagens educacionais começaram a ser elaboradas e exploradas. A neurociência defende que todos somos capazes de aprender, pois o cérebro consegue criar conexões neurais por toda a vida. Aliás, a aprendizagem transforma o cérebro, alterando sua estrutura física para que se torne mais funcional. Ou seja, quanto mais aprendemos, mais nos tornamos capazes de aprender.

Para essa ciência, o aprendizado é visto como um conhecimento que passou a ser uma memória de longa duração, a qual pode ser resgatada pelo indivíduo e aplicada em novas situações, assim como na resolução de problemas, estando relacionado também à criatividade. Por isso, conhecer a relação entre neurociência e educação é importante a todos os educadores e, aos que trabalham com alunos com Altas Habilidades/Superdotação, isso se torna mais enriquecedor por ser uma fonte de novas ideias de atividades que desenvolvam esses jovens.

VEJA TAMBÉM: Aulas inovadoras estimulam estudantes com Altas Habilidades/Superdotação

Neurociência e ensino para alunos com Altas Habilidades/Superdotação

Quando falamos sobre Altas Habilidades/Superdotação, estamos nos referindo a um grupo de pessoas heterogêneo, que possuem facilidade de aprendizado em diferentes campos do saber, podendo apresentar alto desempenho em pensamento crítico, artes, atividade física, socialização ou áreas acadêmicas específicas. Ou seja, para um educador, não existe uma receita fixa de como ensinar para um jovem superdotado, é necessário entender as características singulares daquele estudante, observando seu comportamento e conversando com ele e com seus familiares.

Lecionar para alunos superdotados é um trabalho multidisciplinar, que envolve professores e outros profissionais, como os psicopedagogos. Entender o processo de aprendizagem dos estudantes por meio do estudo da neurociência permite que os desafios acerca do ensino para alunos com Altas Habilidades/Superdotação sejam superados com maior assertividade, dada a grande diversidade de talentos que esses jovens podem possuir.

De que forma o educador pode aplicar esses conhecimentos aos alunos com Altas Habilidades/Superdotação?

Jovens com Altas Habilidades/Superdotação precisam ser estimulados desde a infância, visto que, na fase adulta, o desenvolvimento dos talentos é um processo mais complexo. Por outro lado, alguns estudantes superdotados não se sentem confortáveis com as metodologias escolares, o que gera, inclusive, sua evasão escolar. Por exemplo, por ter raciocínio rápido, um aluno com Altas Habilidades/Superdotação pode considerar as tarefas entediantes. O ideal é que os educadores adotem atividades que os deixem curiosos e empolgados – a boa notícia é que a neurociência está aqui para nos ajudar!

Veja algumas dicas de ensino baseadas em estudos:

  • Estimule todos os sentidos dos estudantes: o professor precisa passar exercícios que incluam sons, imagens, cheiros, gostos e texturas que, além de captar a atenção dos jovens, contribuem para que diversas redes neurais sejam ativadas e, assim, os conteúdos são melhor fixados.
  • Desperte a curiosidade dos alunos: para tal, o educador pode introduzir as matérias com base no cotidiano, afinal, o que está mais próximo de nós nos desperta uma conexão mais forte do que exemplos distantes da nossa realidade, bem como usar ferramentas tecnológicas em sala de aula.
  • Mude a disposição da sala de aula: ao quebrar a organização de carteiras enfileiradas, o estudante pode se sentir mais seguro para participar das aulas e, ao visualizar melhor os colegas, é incentivado a exercer a empatia.
  • Crie debates: a partir das discussões em grupo, os estudantes interagem entre si e ainda aprendem a lidar com seus próprios sentimentos ao encarar opiniões diferentes das suas e a sustentar os seus argumentos com base no diálogo saudável.

Todas essas atividades, além de serem ferramentas educacionais importantes, ainda trazem o benefício de promover a interação entre os estudantes e a inteligência emocional. Dessa forma, alunos com Altas Habilidades/Superdotação são incluídos no currículo escolar e no contato social da turma, lembrando que a lei lhes garante o direito à inclusão e o suporte por parte da instituição de ensino para o desenvolvimento de suas capacidades. Adotando essas medidas em sala de aula, o professor com certeza verá que, além dos superdotados, todos os estudantes são atingidos.

Quer ter acesso a mais dicas de ensino para jovens com Altas Habilidades/Superdotação? O portal do Ismart apresenta mais conteúdos sobre o tema, confira! Além disso, oferece outros materiais de apoio para educadores e também dicas de estudos de estudos para estudantes.

 

FONTES: BARTOSZECK, A.B. Neurociências, Altas Habilidades e implicações no currículo. Revista Educação Especial, v. 27, n. 50, p. 611-626, set./dez. 2014.

ZAGO, C.R; RIBEIRO, E.A.W. Altas Habilidades/Superdotação e o Atendimento Educacional Especializado Na Educação Profissional, Técnica E Tecnológica: Desafios E Perspectivas. Revista Dynamis. FURB, Blumenau, v. 23, n. 1, p. 95-111, 2017.

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