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Uma história de eternos recomeços

03/09/19

Por: Lorena Rezende

A clássica foto da janelinha do avião, claro!

O começo sempre é a parte mais difícil. Seja o início de um projeto, de uma história ou de uma nova experiência, os primeiros capítulos são os mais complexos de serem realizados.

Afinal, como introduzir um novo mundo a alguém que não conhece nada daquilo? De que forma contamos uma vida de acontecimentos, gostos e manias aprendidas, se a pessoa não estava ali desde o primeiro dia? Essas são só algumas das perguntas que eu tinha na cabeça quando cheguei no aeroporto de Nova Iorque e me encontrei completamente sozinha pelas 4 horas que se seguiram.

Me chamo Lorena, sou do segundo ano do Colégio Marista Arquidiocesano e vou contar sobre como aprendi a recomeçar todos os dias no curso de verão que fiz na Universidade de Yale, pelo programa EXPLO.

Euzinha!

Com duração de três semanas, o programa oferece inúmeros cursos e workshops para os alunos. No meu caso, escolhi Engenharia Genética, Psicologia Social, Intervenções Cirúrgicas e Escrita Criativa. Essas aulas me desafiaram diariamente a pensar e ir além do convencional — Em Engenharia Genética, por exemplo, meu grupo tinha que propor um tratamento ou possível cura para o Alzheimer como projeto final.

“Cada manhã era algo novo para aprender e descobrir, dando verdadeiro significado ao nome EXPLO.”

Descobri que iria me aventurar nesse curso de verão no intervalo entre a aula de inglês e a de química. Lembro que, ao ler o e-mail, não soube muito bem como reagir. A ideia de viajar para outro hemisfério sem ninguém que eu confiava ao meu lado ainda era abstrata demais e, sinceramente, um pouco do longe da minha realidade. Não entendi a dimensão da situação até o momento em que me encontrei de frente ao portão principal do Campus Antigo de Yale, o Phelps Gate. Era ali que a minha história continuava, um novo capítulo prestes a ser escrito, as palavras implorando para serem postas no papel.

Parte do Quad, o gramado do Campus Antigo de Yale.

Os primeiros dois dias foram uma enxurrada de informações e eu provavelmente conheci mais pessoas naquelas 48 horas do que havia conhecido em um ano inteiro. Me apresentei inúmeras vezes — o número só não era maior do que o de vezes que tive que repetir e soletrar o meu nome para que as pessoas entendessem.

Aprendi o caminho para as minhas aulas, peguei o jeito de abrir a porta do meu quarto sem emperrar e, pouco tempo depois, entendi a dinâmica daquele lugar. Depois disso, só foi questão de tempo até ganhar mais confiança no meu inglês e fazer amizades de todos os lugares. Não foi tão fácil quanto eu fiz parecer nessa última frase, claro. Mas vou poupá-los dos detalhes, que são cheios de uma pequena garota gaguejando e rindo de nervoso. No entanto, para a minha felicidade, eu recebia um sorriso empático como resposta e uma nova amizade como consequência.

Cheguei em New Haven, Connecticut sem saber muito o rumo que eu queria tomar nas próximas semanas. Saí de São Paulo com mais bagagem do que simplesmente as roupas que coloquei na minha mala vermelha. Eu guardava inúmeras perguntas dentro de mim. Na metade do meu Ensino Médio, já esperava ter uma noção maior de quem eu era e qual era o meu lugar nesse mundo gigantesco. Contudo, aos meus 16 anos e 3 dias, quando me pediram para escrever o que eu gostaria de fazer naquele verão, durante uma atividade em grupo, percebi que o meu propósito ali era me descobrir como pessoa. No final das três semanas, eu esperava entender um pouco mais do que me tornava intrinsecamente Lorena.

Não foi uma tarefa fácil, e muitas vezes me perguntei se algo realmente iria mudar afinal. De certo, algumas coisas continuaram as mesmas, enquanto outras me mostraram vários aspectos sobre mim que eu não acreditava que realmente estavam lá. Mas, mais importante, esse verão me apontou à uma das minhas mais verdadeiras paixões, além de confirmar uma da qual eu estava quase abrindo mão.

As garotas do meu living group, que também se tornaram minhas amigas lá. <3

“Nunca esquecerei as tardes quentes e abafadas em que passei num laboratório, nem as noites marcadas por risadas e cantorias, por músicas e filmes, por abraços e lágrimas. Guardo no meu peito os 21 dias que me reafirmaram sobre quem eu sou e me ensinaram que nós pertencemos não à lugares ou pessoas, mas à nós mesmos. Temos a liberdade de sermos quem quisermos ser, sem compromisso a nada ou ninguém. Demorei algum tempo, mas finalmente entendi que ainda irei me perder inúmeras vezes, assim como também me encontrarei de diferentes formas em variados momentos. Nós estamos em constante evolução, e aceitar esse fato que me fez entender a minha própria pessoa e o meu propósito aqui.”

Minha vida é feita de reinvenções. E a sua?

Uma foto de NYC só para terminar. Aproveito esse espaço para agradecer a todos que me ajudaram desde o começo dessa jornada. Ainda tem muita coisa pela frente, mas eu já sou profundam grata por todo o apoio e carinho que recebi dos meus amigos, da minha família e do Ismart. A história só está começando! ;)

New York, New York!!!

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