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#Palavra do Especialista

20/03/20

Conversamos com a professora especialista em Educação Especial, Rosemeire Rangni sobre como reconhecer alunos com altas habilidades e sobre o potencial de liderança desses jovens

O tema altas habilidades e superdotação é sempre muito debatido pelo Ismart. Convidamos a professora da Universidade Federal de São Carlos, Rosemeire de Araújo Rangni, para conversar sobre um tópico muito importante dentro deste tema: o protagonismo em jovens com alto potencial acadêmico.

Rosemeire é pedagoga, doutora em Educação Especial, coordenadora do Laboratório de Pesquisa de Altas Habilidades (LAPAH) e membro da Comissão Técnica do Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD). Confira a entrevista:

1. Como você iniciou sua pesquisa dentro do tema altas habilidades e superdotação?

Iniciei o estudo da temática no Curso de Mestrado em 2014. De lá para cá, não parei de estudá-la. Ingressei como docente na Universidade Federal de São Carlos, em 2013, nos cursos de Licenciatura em Educação Especial e Pós-Graduação em Educação Especial.

Já houveram nove dissertações e duas teses defendidas e seis trabalhos de iniciação científica, entre os outros trabalhos de conclusão de curso. Lidero o Grupo de Pesquisa para o Desenvolvimento do Potencial Humano (GRUPOH) e desenvolvemos projetos de pesquisa e de extensão junto às escolas e secretarias de educação.

2. O que são pessoas com altas habilidades? Quais são as principais características da superdotação?

Pessoas com altas habilidades apresentam potenciais elevados em uma, duas ou três áreas combinadas, como: intelectual geral, acadêmica, liderança, artística, criatividade e psicomotricidade.

São muitas as características gerais que podem apresentar nas pessoas com altas habilidades, entre elas: precocidade na leitura, interesses diferenciados de seus pares etários, preferência por relacionar-se com pessoas mais velhas, diferenças no pensar e agir em relação a outras pessoas, muitos preferem trabalhar sozinhos, são perfeccionistas, independentes e autônomos, observadores, senso de humor elevado. Vale ressaltar que todas essas características podem não estar em uma pessoa somente.

3. Qual é a importância de identificar alunos com altas habilidades e superdotação? O que deve ser feito com esses alunos e para onde direcioná-los?

No âmbito acadêmico, é dar respostas educativas às suas necessidades, pois estão no público da Educação Especial a ser atendido. No âmbito sócio-emocional, é importante para o equilíbrio e bem-estar, pois o não reconhecimento adequado proporciona sofrimento psíquico, frustração e depressão.

4. Muitos educadores encontram dificuldades para identificar alunos com altas habilidades. Que sugestões você daria para ajudá-los nesse processo?

A dificuldade maior está na falta de conhecimento sobre o tema, pois não tem sido oferecido em formação inicial e em serviço aos educadores. Recomenda-se que a identificação de alunos com altas habilidades passe por várias vias e, para tanto, é necessária capacitação para desenvolvê-la nos ambientes escolares.

5. Para você, como podemos divulgar mais sobre esse tema e reforçar sua importância para pais e educadores?

Divulgar nos veículos de massa para que a sociedade supere mitos sobre as pessoas com altas habilidades. Para além, colocar que elas precisam ser atendidas em suas necessidades tal qual como outras pessoas diferentes.

Os educadores de salas de recursos são, geralmente, formados para atender pessoas com deficiências e transtornos, tanto no meio acadêmico, como em serviço; sendo assim sugere-se ter o olhar para aqueles com altas capacidades. Somente assim, suponho, que o meio escolar e social deixará de ser refratário a esse público.

6. Como você vê a questão da capacidade de liderança em jovens com altas habilidades e superdotação? E o que seria exatamente essa liderança?

Para Covey et al (2017), liderança é comunicar o valor e o potencial de uma pessoa com tanta clareza que ela se sinta inspirada a enxergá-lo em si mesma. De acordo com Gardner (2013), o líder é um indivíduo (ou raramente, um conjunto de indivíduos) que influencia, de maneira relevante, os sentimentos ou os comportamentos de um número expressivo de pessoas.

A partir desses olhares, faz-se necessário o desenvolvimento da liderança desde a tenra idade e os ambientes escolares têm papel fundamental, pois as crianças e jovens podem exercer, de maneira positiva, seus potenciais.

7. Você acha importante estimular a capacidade de liderança nesses jovens? Como fazer esse estímulo?

Como mencionei, é necessário o estímulo do potencial em liderança nas escolas, sobretudo, porque, desde crianças, passam grande parte de seu o tempo nesses ambientes, em convivência com seus pares etários. Alí, sob supervisão, suas tendências como influenciadores podem ser desenvolvidas de forma que esses potenciais sejam benéficos para si e para o grupo.

Vale ressaltar que, liderança mal exercida pode ser nociva à sociedade e acarretar danos irreversíveis. Os estímulos podem ocorrer, primeiramente, pelo conhecimento das características de liderança, por parte de educadores e familiares, e, em segundo, permitir que deem vazão às suas características com atividades enriquecedoras.

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