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Treinando nossos dragões – Uma experiência na LALA 2020

17/03/20

*Por Maria Eduarda Machado

Em janeiro de 2020, eu viajei pela primeira vez sem meus pais, sem muitas expectativas ou ideias do que viria pela frente, na próxima semana que eu passaria longe de casa. Nunca tinha ido pra São Paulo também, então as novidades eram imensas. O motivo da viagem era a minha aceitação na Latin American Leadership Academy – LALA –, que desenvolve cursos intensivos, os bootcamps, a respeito de autoconhecimento, liderança e empreendedorismo social. Pelo menos, era isso que eu basicamente sabia sobre a LALA até o momento.

Logo que cheguei no Aeroporto de Congonhas, muito movimentado por sinal, fui recebida pelo pai do Marcelo (um dos nossos “guias” da nossa semana de descobrimentos), que levou dois cariocas, o JP e o Ronaldo, com quem rapidamente fiz amizade, e eu para a pousada em que ficamos hospedados. Chegando lá, comecei a me enturmar com meus futuros amigos, de Norte a Sul do Brasil, além de uma mexicana, três paraguaios (provei tererê pela primeira vez hihi) e um argentino. Inclusive, reconheci vários Ismart(i)anos do Rio, de São Paulo e São José dos Campos.

A galera do Ismart marcando presença

A noite de sábado já começou impactando-nos. Tal qual todos os outros dias que passamos no Amani Institute, local em que as dinâmicas entre nós, participantes do bootcamp, e os facilitators, que guiavam as atividades e mediavam as discussões, aconteceram, foi um momento de muita descoberta sobre mim mesma e sobre meus colegas. Tópicos como insegurança, Síndrome do Impostor, confiança e vulnerabilidade foram a base das nossas primeiras rodas de conversa, que me fizeram tanto conhecer a mim mesma quanto aos outros, fortalecer relações de companheirismo e desenvolver soluções de problemas que me incomodavam por não conseguir agir até então.

Na visita que fizemos ao Instituto Favela da Paz, eu vi com meus próprios olhos a pura beleza. Beleza, nesse caso, em encontrar tantas pessoas boas, com atitudes inovadoras, que transformaram o local onde vivem em um lar acolhedor, sustentável, tecnológico e, principalmente, musical. Passar pelo estúdio de gravação totalmente reciclado, pelo Laboratório com um biodigestor caseiro do Fábio e pela cozinha comunitária de comida vegetariana me fez sentir como parte daquela grande família. O que senti lá, não sei descrever com palavras.

No Instituto

Tivemos também muitas inspirações de pessoas incríveis, que se destacam nos ramos de Empreendedorismo Social em diversas áreas, desde a Engenharia da Computação até a Antropologia. Em momentos de descontração, nos visitaram para debates e um jantar incrível, em que conheci mais sobre cada história e tirei muitas dúvidas, traçando uma ideia mais consistente de como eu devo agir para impactar a minha comunidade, algo que todos que participam da LALA querem descobrir. Num desses encontros, conheci o australiano Jim Savage, membro da Schimdt Futures, que me indicou incríveis referências a respeito de Sistemas de Saúde Pública, um assunto que me interesso muito e que quero me aprofundar futuramente na faculdade.

O Social Impact Dinner

As maiores lições que eu aprendi foram relacionadas às pessoas que eu conheci. Amigos, com quem desenvolvi, ao longo daquela semana de janeiro, laços de confiança a cada olhar de compreensão na troca de histórias e ideias de cada um; os facilitadores, que nos acompanharam e doaram-se nas atividades de descoberta e crescimento pessoal.

Numa dessas dinâmicas, um dos facilitadores, o Antonio, pediu-nos para que escolhêssemos a nossa história preferida. Eu, despretensiosamente, disse que era “Como treinar o seu dragão”, porque o filme sobre o companheirismo entre Soluço e Banguela trazia não só uma mensagem de amizade, mas de como somos importantes um para o outro, como podemos formar laços inquebráveis com outras pessoas. Acredito que isso aconteceu comigo durante e após o bootcamp. Mas o que mais me deixou encantada foi o que o Antonio disse em seguida. Ele fez um gancho do meu depoimento com uma antiga analogia que conhecia sobre dragões:

“Desde a Antiguidade, nós tememos os dragões. São seres gigantes, que cospem fogo e aterrorizam vilarejos e histórias infantis. Mas eles também guardam tesouros. Nós não devemos ter medo deles, mas sermos grandes amigos. Devemos nos unir com os nossos dragões, medos e fraquezas, para que o tesouro venha junto. Aprender a treiná-los! ”.

E é isso que eu estou tentando fazer a cada dia, após a minha experiência na LALA. Treinando meus dragões, para que venha o ouro junto.

Eu, Antonio e dragão que ele simbolicamente ganhou de aniversário. Sim, nós tivemos uma festinha na pousada

 

Eu, Veronica, Flavia e Antonio, numa pose espontânea que a Débora, uma das facilitadoras, registrou.

 

LALA Family <3

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