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Raio X – Leonardo Frazão

01/09/20

Nome: Leonardo Frazão
Idade: 18 anos.
Vai pra onde? Vou para Université Panthéon-Sorbonne, em Paris, estudar Economia e Gestão.

O que você pensou quando recebeu o resultado? 
Em algum fim de tarde em abril, na tela do computador, aparecia o tão esperado resultado da Sorbonne! Estava com amigos bem próximos quando o recebi e, nesse momento, a minha trajetória inteira passou pela mente. Entre os abraços calorosos dos meus amigos, tive certeza do imenso valor dos ônibus lotados pegos às 5h30 e das provas complexas de Termodinâmica no Colégio de São Bento. Mais do que isso, ao ligar para minha família e contar a notícia, percebi que a mensagem “aprovado” dizia por muito mais pessoas do que eu. Lembrei da vó Leda acordando cedo comigo para fazer o pão na chapa mais gostoso do Andaraí, com suquinho de caju. Lembrei também da minha mãe e do meu padrasto me levando à Escola Municipal Orsina da Fonseca, onde fiz minha prova presencial para o ISMART. Lembrei ainda do esforço e do apoio emocional da minha madrinha e do meu pai na reta final de minha candidatura. Foi uma das maiores felicidades da minha vida, foi uma conquista merecidamente compartilhada.

Como se preparou para chegar lá? 
Costumo rechaçar o “complexo de vira-lata” de que dizia Nelson Rodrigues. Amo o Brasil e quero muito trabalhar por ele. Porém, é necessário reconhecer que os processos de seleção universitária norte-americano e europeu, em termos gerais, são muito melhor estruturados que os brasileiros. Isso porque, para ser aprovado, precisei enviar um dossiê meticulosamente detalhado para a Campus France, órgão do governo francês responsável pelo intermédio da aprovação de alunos estrangeiros. Nele, anexei vários documentos que comprovavam a participação em atividades extracurriculares, como minha jornada na Presidência do Parlamento Jovem Brasileiro, meus trabalhos comunitários em Duque de Caxias e os jornais estudantis que coordenei no Ensino Médio. Além disso, consideraram o meu teste de proficiência em Língua Francesa, a minha carta de motivação e as cartas de recomendação de meus professores beneditinos. Assim, a minha preparação foi mais focada em conhecer o processo seletivo e entender como contar a minha história da melhor maneira, explorando as várias perspectivas de quem eu sou. E, claro, com o auxílio imenso das minhas professoras do São Bento, estudei muito francês. No processo, sem dúvidas, tranquilizou-me saber que seria avaliada uma construção, minha e das pessoas que me apoiaram e me ensinaram, e não uma prova, apenas.

O que você diria para os bolsistas novatos do ISMART? 
Aos bolsistas novatos do ISMART, eu recomendo muita coragem. Não é nada fácil provar a si e aos responsáveis, familiares, professores, inspetores, colegas. Saímos de escolas, quase sempre, honradas e bem geridas, mas com poucos recursos. Cabe a nós, nos superar a cada dia quando encontramos novas exigências acadêmicas.  Reconheço a sorte e o privilégio de ter conhecido e sido aprovado em um programa maravilhoso como o ISMART. Algo que vários amigos meus não tiveram. A partir daí, outras barreiras se impuseram e foi possível, pelo mérito de saber usar as oportunidades, superar os percalços. Cada um dos alunos do ISMART, eu diria, consegue fazer o mesmo.

Ismartianos, não desanimem nas primeiras notas baixas, nem sintam-se menos que qualquer um. Aguentem os desafios com calma e parcimônia. Descansem. A inteligência emocional de vocês será grande companheira na jornada rumo aos seus sonhos. O meu exemplo é só mais um dos vários que vocês têm para se inspirar na rede ISMART. Aliás, não deixem de contar com ela! Porém, tenham cuidado ao se comparar. Sejam vocês mesmos. Descubram-se e se reinventem, saiam da curva esperada quando convier. Ousem saber. E, acima de tudo, tenham coragem.

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