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Fazendo a Diferença: Gustavo Ferreira e Marta Carapajó

17/12/15

* Este texto faz parte da seção Fazendo a Diferença, em que o Ismart promove um reencontro entre um educador de escola pública e um aluno que passou no processo seletivo de bolsas de estudo graças à inscrição deste professor. O educador conta ao Ismart como identificou o potencial do aluno e o bolsista fala das suas principais realizações depois que entrou para o projeto. O Fazendo a Diferença é uma das ações do Deixe sua Marca, programa de relacionamento do Ismart com educadores da rede pública.

Na primeira vez que a Escola Municipal Alcide de Gasperi indicou alunos para o processo seletivo do Ismart, em 2009, um garoto foi aprovado. Era Gustavo Henrique Medeiros Ferreira, então no 7º ano do ensino fundamental. Ele passou para o Projeto Alicerce e ingressou no Colégio de São Bento – um acontecimento que mudou a maneira como a escola pública, localizada no bairro de Higienópolis, zona norte do Rio de Janeiro, passaria a enxergar o Ismart.

“A aprovação do Gustavo deu um gás para continuarmos indicando alunos para o Ismart, porque você parte de um exemplo, um caso concreto”, lembra Marta Solange Gomes Lacerda Carapajó, coordenadora pedagógica do Alcide de Gasperi e responsável por iniciar, naquele ano de 2009, a participação da escola no processo seletivo do Ismart.

Sete anos depois, além de Gustavo, atualmente estudando Engenharia Química na PUC-Rio, Marta aponta outros estudantes que também entraram e continuam no projeto: Raphael de Almeida Silva (que faz Economia na PUC-Rio) e as colegas Bianca Fernandez de Oliveira Pinho e Juliana Santos de Jesus (Projeto Alicerce no Colégio pH e alunas do 8º ano do ensino fundamental). Recém-aprovada, Ayviah Ramos de Oliveira ingressará no Ismart em 2016, pelo Projeto Bolsa Talento, no Colégio Pensi.

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Engajamento

Marta havia conhecido o Ismart em outra escola pública onde atuou como coordenadora, mas foi no Alcide que passou a indicar alunos para o processo seletivo de bolsas de estudo logo no seu primeiro ano de trabalho, em 2009.

“Participei de uma reunião na CRE (Coordenadoria Regional de Educação) em que o Ismart foi apresentado. No começo, fiquei com um pé atrás, pensando ‘Será que é bom para o aluno? O que será que o Ismart ganha com isso?’”, afirma Marta. Mesmo com essas incertezas, ela decidiu levar ao Alcide a ideia de indicar alunos para o processo seletivo e teve sucesso no engajamento dos colegas educadores.

Naquele primeiro ano, os professores abordaram alunos de destaque para apresentar a oportunidade. Quatro foram inscritos, entre eles Gustavo, que já estava na escola havia três anos e sempre mostrara muita dedicação e vontade de aprender. O estudante lembra da reunião em que Marta falou sobre o Ismart para os candidatos e seus responsáveis. “Ela disse que o Ismart ia oferecer tudo e não precisávamos pagar nada, nem sequer para participar do processo seletivo. Que, se aprovados, só precisávamos estudar”, diz. “Parecia bom demais para ser verdade, mas ainda bem que me inscrevi, apesar de os meus pais terem ficado um pouco desconfiados.”

Gustavo passou nas provas de português, matemática e raciocínio lógico do processo seletivo e foi classificado para a entrevista individual, etapa em que o Ismart busca conhecer melhor cada um dos candidatos. “Estava muito nervoso. Tanto que dava para ouvir o tic tac do relógio”, lembra, dando risada. Deu tudo certo: o aluno passou de fase, avançou na seleção e conseguiu a tão esperada aprovação. Entrou para o Ismart e ficou famoso entre os colegas do Alcide. “Ele passou a ser o Gustavo do Ismart”, diz Marta.

Gustavo com suas ex-professoras da Alcide de Gasperi Gustavo com suas ex-professoras da Alcide de Gasperi

O papel da escola

Depois dessa primeira indicação bem-sucedida, o processo seletivo do Ismart entrou na agenda oficial do Alcide, com o aval da direção. Todo ano, no primeiro semestre, Marta fala sobre o projeto em uma das reuniões com os educadores. Ali são colhidas as primeiras indicações de alunos que se destacam no 7º e 9º anos do ensino fundamental – elegíveis para inscrição no Alicerce e no Bolsa Talento.

“A recomendação dos professores é importante porque alguns alunos são tímidos e poderiam não manifestar vontade de participar do processo seletivo”, conta a coordenadora. No Alcide, a maior parte das indicações vem dos docentes de ciências, matemática e português, porque estão há mais tempo na escola e têm maior familiaridade com o projeto.

Marta, então, convoca os alunos indicados e seus responsáveis para uma reunião de apresentação do Ismart. Na ocasião, ela pede que os pais assinem uma autorização para a escola inscrever os filhos no processo seletivo. É a própria coordenadora que entra no sistema do Ismart e realiza o cadastro de cada um dos candidatos.

As pastas onde Marta guarda os comprovantes de inscrição As pastas onde Marta guarda os comprovantes de inscrição

A educadora conta que ficou mais fácil divulgar o Ismart após as aprovações de alunos. A ideia de participar do processo seletivo se popularizou na escola, de modo que vários estudantes do Alcide passaram a se inscrever por conta própria. Para engajar toda a comunidade escolar, Marta e os professores apresentam o Ismart nas salas de aula das turmas de 7º e 9º anos e também colocam em um mural as informações sobre o processo seletivo.

‘Gustavo do Ismart’

Os alunos do Alcide que entraram para o Ismart aos poucos adquiriram o hábito de divulgar o processo seletivo em sua antiga escola. Gustavo visitou a unidade no ano passado e neste ano. “Eu soube do Ismart pela professora de português, mas acho que, quando é um bolsista falando do projeto, ele consegue dar um testemunho de como a vida dele mudou e impactar possíveis candidatos de outra maneira.”

De fato, a vida de Gustavo Ferreira mudou depois que ele se tornou o “Gustavo do Ismart”. Pelo Projeto Alicerce, os alunos continuam matriculados em suas escolas públicas e, no contraturno, passam a frequentar um cursinho preparatório em alguma escola particular parceira do Ismart. Durante o 8º e 9º anos, Gustavo ia para o São Bento de manhã e, à tarde, tinha aulas regulares no Alcide.

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Ele teve muito apoio da família para dar conta da dupla jornada – seu pai, por exemplo, deixava todo dia o material escolar na direção do Alcide, de forma que o filho não precisasse carregar peso de uma escola para a outra; já a mãe o acompanhava até o São Bento, de ônibus, antes de ir para o trabalho. “Ter a família presente é essencial para o aluno ser bem-sucedido no Ismart”, destaca Marta, ao lembrar-se daqueles anos de transição na vida do ex-aluno.

Após os dois anos do Projeto Alicerce, Gustavo conseguiu aprovação no vestibulinho para cursar o ensino médio no São Bento. No 1º ano, sua maior dificuldade foi com a matemática. Ele diz que nunca foi fã da disciplina, mas, até então, tirava boas notas. No primeiro bimestre, porém, ficou com 3,4 de média. “Comecei a estudar muito e parei de falar que não gostava de matemática. Aceitei que era uma matéria que precisava aprender e corri atrás para melhorar”, destaca. O empenho lhe garantiu média de 8,1 no segundo bimestre.

Gustavo conta esta história para dizer que, na sua opinião, esforço e motivação são características-chave dos bolsistas do Ismart. Curiosidade também. O próprio Gustavo, que sempre quis estudar Direito, se envolveu em atividades extracurriculares do São Bento para conhecer melhor a área. No 1º ano, participou de uma simulação da conferência Rio+20, promovida pelo colégio, o que fez o aluno perceber que não se sentia tão à vontade falando em público.

No mesmo período, descobriu interesse pelas ciências exatas e conquistou medalha de bronze na Olimpíada Estadual de Química. Por este feito, foi convidado a participar de um curso preparatório para a edição nacional da competição, oferecido pela PUC-Rio. Após seis meses imerso na disciplina, Gustavo acabou recebendo menção honrosa na olimpíada. Decidiu que seguiria carreira na área.

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Com a nota do Enem, o bolsista passou em 2015 para Química Industrial na UFRJ e conquistou uma bolsa do ProUni para estudar Engenharia Química na PUC-Rio. Preferiu a universidade particular e está feliz com a infraestrutura, as aulas e os professores. Em dois semestres de faculdade, já participou do Congresso Regional de Engenharia Química, no Espírito Santo, e entrou para um projeto de iniciação científica, com o objetivo de conhecer melhor as oportunidades do campo em que deseja atuar. “Por enquanto, gosto de química forense, farmacêutica ou de alimentos”, diz. No longo prazo, sonhos grandes. “Quero ser bem sucedido, ter uma situação financeira estável. Mas também tenho vontade de fazer algo social – sinto uma gratidão eterna pelo que o Ismart me proporcionou.”

Continua o bolsista: “Não fosse pelo Ismart, nem sei se faria uma faculdade. O projeto me mostrou que, com esforço, as oportunidades aparecem – e por isso eu incentivo todos a se inscreverem no processo seletivo”, reforça. O retorno do ex-aluno à escola pública para divulgar o Ismart deixou a educadora Marta feliz. “A gente sabia que ele iria longe, mas superou nossas expectativas. E isso nos incentiva, na escola, a acreditar mais no projeto.”

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